BCE divulga documento que revela riscos de crimes financeiros em pagamentos transfronteiriços.
O BCE publicou um documento que revela os riscos financeiros associados aos pagamentos transfronteiriços, sugerindo possíveis soluções através de criptomoedas, blockchain ou pagamentos interligados.
Em um artigo do Ao analisar as atuais ineficiências dos pagamentos transfronteiriços, o Banco Central Europeu (BCE) apresenta sugestões para possíveis soluções utilizando blockchain, criptomoedas ou sistemas nacionais de pagamento interligados.
O artigo, intitulado “Em busca do Santo Graal dos pagamentos internacionais,O estudo aborda o problema de que a complexidade dos sistemas de combate à lavagem de dinheiro (AML, na sigla em inglês) é uma das principais barreiras para solucionar as dificuldades de pagamento. Afirma que uma das seis vias propostas pode estar prestes a alcançar o resultado ideal (o chamado "Santo Graal"), que é a obtenção de pagamentos rápidos, acessíveis, generalizados e liquidados em um meio seguro como a moeda do banco central.
No entanto, os especialistas do BCE enfatizam que, para que isso aconteça, é crucial avançar na resolução das ineficiências no cumprimento das normas de AML e CFT, a fim de tornar o resultado alcançável.
De acordo com o documento do BCE, o Bitcoin foi uma das opções potenciais consideradas pelo G20. As alternativas de segunda camada para micropagamentos, a rede Lightning, também são exploradas no estudo, além da rede Bitcoin. Os autores consideram a existência de uma grande rede única e a ausência de intermediários como vantagens relevantes para resolver as questões de custódia do Bitcoin para os usuários finais.
Apesar de suas desvantagens, como o alto consumo de energia e a aplicação inconsistente das normas de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, o Bitcoin ainda é visto como uma alternativa confiável. Além disso, segundo o estudo do BCE citado, “A volatilidade de seus preços prejudica sua aceitabilidade como meio de pagamento – tanto para transações locais quanto transfronteiriças”.
Embora menos inovadoras que o Bitcoin, as stablecoins são consideradas pelo BCE como uma alternativa viável. Devido ao seu possível impacto na estabilidade financeira, ao potencial de criação de monopólios e à oportunidade de exploração de mercado, as stablecoins são vistas com ceticismo como uma solução abrangente para pagamentos internacionais.
Considerando a variedade de projetos-piloto nacionais de CBDC na Europa e o fato de a disponibilidade de moedas digitais estar longe de ser completa em nível da UE, a pesquisa considera as soluções multi-CBDC como uma das opções mais teóricas. No entanto, a interligação de sistemas de pagamento domésticos e a implementação de múltiplas CBDCs foram classificadas como as duas direções mais promissoras a serem exploradas.
O BCE também aproveitou a oportunidade para avaliar as atuais plataformas de pagamentos transfronteiriços, como o Nexus, um plano para conectar sistemas de pagamento instantâneo além das fronteiras nacionais, o TIPS RIX-EUR, que interliga as plataformas TIPS da Suécia e da zona do euro, e o P27, bem como a aliança entre a EBA Clearing e a The Clearing House, que visa conectar a zona do euro aos EUA.
Sugestão de leitura: “As criptomoedas devem ser regulamentadas, não proibidas”, afirma o vice-presidente do BCE.
