Auditorias vazadas revelam que bancos nórdicos ignoraram sinais de alerta de lavagem de dinheiro durante anos.
O Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP) revelou, em uma auditoria, que os bancos nórdicos Nordea e DNP, o maior grupo financeiro da região nórdica, têm ignorado os sinais de alerta de lavagem de dinheiro.
O anúncio da fusão das filiais dos bancos nórdicos em 2016 gerou grande interesse em diversos grupos financeiros e redes de investimento. A fusão das filiais do banco finlandês Nordea e do banco norueguês DNB resultou em melhores oportunidades de investimento para os investidores locais após a formação da Luminor.
O plano era fundir as filiais da Estônia, Letônia e Lituânia para formar o terceiro maior banco dos países bálticos, chamado Luminor.
A fusão de seis divisões da Nordea e do DNB era tão tentadora que a gigante americana de investimentos "Blackstone" adquiriu uma participação de 60% na Luminor em 2018.
Enquanto toda a operação estava sendo desmantelada, o OCCRP e o jornal dinamarquês Berlingske denunciaram atividades de lavagem de dinheiro no Danske Bank. Inicialmente, Casper von Koskull, então CEO do Nordea, negou todas as acusações e todas as acusações referentes às filiais do Banco dos Bálticos em 2018.
Ele disse ao jornal Helsingin Sanomat: “Nunca houve qualquer suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo a Luminor e o volume de transações internacionais no banco é muito pequeno.”
Agora o OCCRP obteve os dois relatórios de auditoria que nunca foram divulgadas na época. Os relatórios identificaram bilhões de dólares que podem ter sido lavados antes da fusão dos bancos nórdicos.
As estatísticas da auditoria revelaram cerca de 3.9 bilhões de euros em transferências que não foram totalmente verificadas, incluindo, segundo o relatório: “Transações de alto volume com contrapartes associadas a potenciais esquemas de crimes financeiros, transferências eletrônicas inexplicáveis, empresas de fachada e notícias negativas.”
As demais conclusões dos auditores detalharam também o envolvimento de clientes obscuros nas redes bancárias da Nordia e do DNB, que incluíam ainda oligarcas russos e outros suspeitos de lavagem de dinheiro.
O então CEO da Luminor, Erkki Raasuke, afirmou que encomendou os relatórios após presenciar as consequências do escândalo de lavagem de dinheiro do Danske Bank. No entanto, após a identificação dos envolvidos, os relatórios nunca foram divulgados.
A Luminor não confirmou nenhuma investigação adicional sobre as denúncias e afirmou que o banco manteve contato com todos os órgãos reguladores relevantes ao longo do processo e compartilhou as conclusões quando apropriado.
A Nordea também não respondeu oficialmente às perguntas que surgiram a partir das reportagens, afirmando, em vez disso, que “Colaboração mais estreita entre bancos e autoridades para identificar e prevenir crimes financeiros.”
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